segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Para Ele


Por David Montealegre

Não conheço teu rosto, mas vi centenas deles, em meus irmãos.
Não conheço tuas mãos, mas vi como tocas.
Não conheço tuas pisadas, mas segui teus passos.
Não conheço tua voz, mas te vi gritar no meio de meu povo.
Não sei quem és incrível mistério, mas me assombram tuas formas, tuas luzes e escuridões.
Salva-me de não ver a dor do outro e da outra.
Salva-me de não sentir a dor do outro e da outra.
Salva-me de estar e não ser.
Salve-me de minha idéia de ti.
Salve-me de fazer-te uma casa que não seja minha vida.
Salva-me de crer-te verdade em minha igreja.
Salva-me de crer-te definível.

Salva-me de perder a lembrança sobre a dor de meu povo.
Salva-me de perder o gozo de ver-te no meio do pranto dos meninos sem mãe.
Salva-me de achar que tenho razão.
Quero optar um dia para minha morte, tu optaste um para a tua.
Não há liberdade maior que se saber livre para viver.
Não há liberdade maior que se reconhecer igual ao outro e à outra.
Não há liberdade maior que se saber débil ante o silêncio do rosto do sofrimento.
Não há liberdade maior que se observar no meio da dúvida.
Não há liberdade maior que abrir os olhos e ver os montes de minha terra agora banhados em sangue que esperam que a chuva de justiça os banhe de cristalino perdão.
Livra-me de não amar até a dor.

2 comentários:

Cir disse...

Parabéns pela sua iniciativa e que Deus te abençoe e te conduza nessa nova fase.

Força e coragem sempreeeeee!!!!!!!!

Celso Oliveira disse...

Valeu, Cir!

Obrigado querida.